O Twitter esclareceu em seu blog na sexta-feira algumas questões polêmicas envolvendo a censura local de tweets que havia sido divulgada pelo presidente-executivo do Twitter, Jack Dorsey, no dia anterior. O anúncio gerou uma imediata condenação da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a convocação de um blecaute ao microblog por parte do grupo de hackers Anonymus.

Em post no blog, o Twitter afirmou que a decisão é positiva para "a liberdade de expressão, transparência e prestação de contas - e para os usuários", e permite que as postagens permaneçam disponíveis além das fronteiras em que as autoridades restringem a publicação dos conteúdos eventualmente censurados.
O Twitter ainda esclareceu que os usuários não serão submetidos à censura prévia e que o microblog só vai "reter conteúdos específicos quando for requisitado a fazer isso em reposta ao que acreditamos ser um válido e aplicável pedido legal". As postagens retidas serão identificadas localmente com a mensagem "Tweet withheld" (mensagem removida) ou "@Username withheld" (usuário removido).
A ONG internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) escreveu uma carta aberta na sexta-feira expressando sua preocupação sobre o anúncio do presidente-executivo do Twitter, Jack Dorsey, sobre a possibilidade do microblog vir a censurar tweets em certos países. A RSF pediu que o Twitter reverta a decisão que "viola a liberdade de expressão".
Na carta, a RSF, conhecida pelo seu combate à censura a imprensa pelo mundo, afirmou que o anúncio do Twitter restringe a liberdade de expressão e vai "de encontro aos movimentos opostos à censura que se ligaram à Primavera Árabe, para a qual o Twitter serviu como sonora plataforma". A ONG afirma sua posição de que a proposta do Twitter visa cooperar com regimes autoritários em respeito a legislações locais, que "frequentemente violam os padrões internacionais de liberdade de expressão".
A RSF também diz que o anúncio do Twitter foi "muito vago e deixou a porta aberta para todos os tipos de abusos". A ONG questionou o microblog se o controle sobre o conteúdo será feito após o tweet ser publicado - em respeito a pedidos de autoridades - ou previamente, através do estabelecimento de um sistema que rastreie conteúdos ou palavras-chaves.
A ONG ainda pergunta se o objetivo do Twitter é entrar no mercado chinês "a qualquer custo", país que obriga as redes sociais a cooperaram com as autoridades.
Protestos
A decisão do Twitter de censurar conteúdos em determinados países mobilizou os internautas. Convocado pelo grupo de hackers Anonymous na quinta-feira, alguns tuiteiros aderiram ao boicote à rede social neste sábado. Ilustrações com o pássaro azul, ícone do microblog, censurado forma compartilhados, embora a maioria delas, no próprio Twitter.
Em uma imagem onde o rabo do pássaro é cortado, a mensagem é clara:"¿Twitter está censurado. Seu Tweet foi delatado. Por favor, diga adeus à liberdade de falar".
Em 24 horas, a hashtag #TwitterBlackout foi mencionada mais de 47 mil vezes. Entre elas, muitas mensagens estão em coreano e em árabe - o que demonstra que países como Arábia Saudita e Coréia do Norte, que são sempre relacionados na lista dos países censuradores da internet, podem vir a ser beneficiados com a decisão do Twitter.
"Alguns (países) são tão diferentes de nossas ideias que não seremos capazes de existir. Outros são semelhantes, mas, por razões históricas ou culturais, restringem determinados tipos de conteúdo, como a França ou a Alemanha, que proíbem conteúdo pró-nazista", justificou o Twitter.
No post de quinta-feira, o Twitter anunciou que pode censurar determinados tweets em alguns países do mundo, se for necessário. A rede de microblogs afirmou que na medida que cresce internacionalmente, entra em "países que têm ideias diferentes sobre os contornos da liberdade de expressão".
O Twitter também afirmou que está ampliando sua parceria com o site Chilling Effects, organização que visa proteger a atividade na internet de ameaças legais, para informar sobre as postagens removidas no endereço chillingeffects.org/twitter.
Terra